Porsche 550 SPYDER - Uma outra história de sucesso

Uma Questão de Estilo

O Presidente da República Portuguesa , Aníbal Cavaco Silva , terá visto a sua vida mudar de rumo no dia em que resolveu ir à Figueira da Foz fazer a rodagem do seu novo Citroen BX . A partir desse dia , uma brilhante carreira de professor universitário seria interrompida para dar lugar a uma não menos brilhante carreira política . Mas o carrinho , enfim ... são gostos .
Já o Presidente Georges Pompidou , de França , fazia questão de chegar ao Palácio do Eliseu ao volante do seu Porsche 356 B ( what else ? ) e acompanhado por sua mulher , Claude .

Corridas de Vila do Conde 1968

Breve passagem do Porsche 356 de João Paulo Sottomayor na curva do castelo , em Vila do Conde .
Agradecimentos a Carlos Gilbert

O Bom Filho

O enquadramento da fotografia não é brilhante , tal como o cenário , um pouco "rústico" e frio . Mas o mais importante é a notícia e esta diz que o belíssimo 356 C prateado que foi do Luis Soromenho , voltou a "casa" . Trata-se de um dos melhores Porsche 356 existentes em Portugal , imaculadamente restaurado e conservado e presença frequente em provas de Regularidade Histórica .
Apesar do seu ilustre "pedigree" , o carro viria a ser vítima de uma incontrolável paixão do Luis , que há meses o trocou ... por um Jaguar (!!!) . Enfim , as paixões são isso mesmo : irracionais e fugidias , por vezes com sérias consequências . Desta vez , porém , tudo acabou em bem e espera-se que a relação seja para durar eternamente . Ou , como dizia Vinicius , "que a paixão seja eterna , enquanto dure" .

The Sky is Blue

Este será , em minha opinião , o mais bonito 356 existente em Portugal . Trata-se de um "Speedster" de 1955 , colorido de um azul-cinza quase irreal e dotado de linhas fluidas e harmoniosas , que continuam extraordináriamente atraentes apesar de mais de 50 anos se terem passado desde que foi concebido . A capota só deve ser usada em circunstâncias climatéricas extremas , pois destrói o equlíbrio estético do conceito , isto para não falar na sua eficácia , mais do que discutível .
O carro é muito fácil de conduzir , apesar da suspensão algo "rija" e da caixa de velocidades pouco precisa , por comparação com os modelos seguintes . O motor é ágil e disponível , usando e abusando da pouca potência debitada pelo pequeno boxer de 1500 cc . Em matéria de instrumentação , o "Speedster" apenas oferece o estrictamente necessário : conta rotações e pouco mais . Um verdadeiro "puro sangue" de corrida , não recomendável a pessoas de coluna vertebral frágil .
Agradeço ao seu feliz proprietário , João Melo , ter-me proporcionado este delicioso test-drive pelas estradas da Serra de Sintra . E , quem sabe , talvez um dia possamos inscrever o Porsche "azul-côr-do-céu" nas Mille Miglia .
Vontade não falta .

O Horizonte é Vermelho

Imagens do passeio organizado pela Câmara Municipal de Oeiras , em parceria com Manuel da Silva , no passado dia 15 de Junho . O "outro" 356 pertence ao Mário Vital de Melo , não se sabendo quem conduz o carro dos bombeiros nem o Herald .
Tudo isto terminou com um belo almoço , oferecido pelo presidente da CMO , antes de saber que iria a julgamento . Enfim , é a vida !

Ficha de Homologação ( FPAK )

PORSCHE 356
As vias homologadas são as seguintes:
Frente: 1306mm , Traseira: 1315mm
Viaturas com tambores homologados de 60mm
como opção:
Frente. 1346 Traseira. 1315
Para viaturas desprovidas de ficha de homologação da época da FIA, aplicam-se como peso mínimo (Artigo 11.11 do Anexo K) em GTS:
Coupé, cabriolet, hardtop
1100,1300,1300 S,1500 S Super 750 Kg.
A/ 1300, 1300 A 805 Kg
A/ 1500 GS Carrera / Carrera GT 780 Kg
A/ 1600 S, 1600 GS,
Carrera GT / de Luxe Coupé 780 Kg
A/ 1600 810 Kg
B/ (T5) / 1600, 1600 S, 1600 S 90 830 Kg
B/ (T5) versão GT/ 1600,
1600 S, 1600 S 90 750 Kg
B/ (T5) descapotáveis/ 1600,
1600 S, 1600 S 90 780 Kg
B/ (T6) / 1600, 1600 S, 1600 S 90 750 Kg
B/ (T6) / 1600 GS / GT / GT Abarth 780 Kg
B/ (T6) / 2000 GS / GT / GT Carrera 2 770 Kg
B/ (T6) / 2000 GS Abarth Carrera 770 Kg
C/ 1600 C, 1600 SC 900 Kg
Speedster, roadster
1500 S 700 kg
A/ 1600 GS 700 kg
B/ (T5) / 1600 S 800 Kg
B/ (T6) / 1600 S, 1600 S 90 740 Kg
Na Categoria GTP, esses pesos são:
356 B (T5) 1600 S 90 Coupé,
Cabriolet, Hardtop 788 Kg
356 B (T6) 1600 S 90 Coupé,
Cabriolet, Hardtop 712 Kg
356 B (T6) 1600 S 90 Speedster,
roadster 703 Kg

Comparações ...

" O novo Porsche Cayman e o lendário “avô” 356 estão separados no tempo por meio século e a anos luz de distância em termos tecnológicos. Mas as qualidades intrínsecas da marca estão bem presentes em ambos: desportividade, facilidade de utilização e qualidade. Uma questão de ADN.O Cayman encaixa na base da gama Porsche actual. Mantém-se fiel ao motor boxer, neste caso com seis cilindros e 2.7 litros (245 CV), colocado atrás do habitáculo mas à frente do eixo traseiro,o que faz dele um coupé de dois lugares e motor central. Com isso adquire uma boa distribuição dos seus 1300 quilos de peso, com vantagens para a eficácia dinâmica, tornando-se acessível a condutores menos dotados e também mais prático de utilizar no dia-a-dia, graças à boa mala traseira daí resultante. As entradas de ar laterais, a asa traseira retráctil (automática ou manualmente), o escape trapezoidal ao centro e as jantes de 17 polegadas (pneus 235/50 atrás e 205/55 à frente) “vestem-no” para o século XXI.
Elegância do passadoMais curto, mais estreito e muito mais leve (850 kg), este 356A 1600S é um exemplo raro de elegância desportiva. Tem apenas mais um centímetro de altura que o Cayman mas a distância entre eixos é 30 cm mais curta, o que não permite milagres no interior. A característica tampa traseira com grelha de refrigeração dá acesso à casa das máquinas, onde se esconde o pequeno motor boxer de apenas quatro cilindros e oito válvulas, evoluído a partir do 1.1 do carocha e também colocado atrás do eixo traseiro, mas neste 1600 S a assumir 1582 cc e 75 CV de potência às 5000 rpm (116 Nm às 3700 rpm), alimentado por dois carburadores. No final da silhueta e também da linha mecânica surge um precioso par de metralhadoras pesadas: o escape duplo, tão típico dos motores VW e Porsche refrigerados a ar."
Texto: António Amorim
Fotografia: Adelino Gonçalves
"Turbo Online" , Fevereiro 2007


Lordelo , 1962

O Cabrio de Basílio dos Santos , "entalado" entre um Cooper S e um Jaguar E , durante o Circuito de Lordelo de 1962 .

Joaquim Filipe Nogueira

Joaquim Filipe Nogueira foi um dos pilotos mais brilhantes da história do automobilismo nacional , tendo sido um dos primeiros a competir a nível internacional , com assinalável sucesso .
Naturalmente , uma parte da sua "aprendizagem" foi feita ao volante de um Porsche 356 A , como aqui se documenta durante a disputa da Taça Cidade de Lisboa , de 1956 .

Vila do Conde , 1966

O 356 branco de João Paulo Sottomayor aguarda a partida para o circuito de Vila do Conde , em 1966 , numa altura em que a produção deste modelo já tinha terminado . No entanto , apesar do enorme sucesso do 911 que o substituiu , o velho 356 continuaria a somar vitórias por muito tempo ainda .
João Paulo Sottomayor é hoje um fotógrafo profissional de grande mérito , estando neste momento representado numa exposição que decorre no Museu Soares dos Reis , no Porto , até 31 de Julho .

E aquelas "fitinhas" todas , coladas aos faróis , para que serviriam ?

Em 1963 , foram estes os resultados da corrida de Vila do Conde . Havia três Porsche 356 em prova , além de um Porsche Spyder , que viria a ser o vencedor . Ao volante estava Joaquim Filipe Nogueira , um dos maiores pilotos da história do automobilismo português .

Temperatura de Óleo

O indicador de temperatura de óleo pode ser um dos mais preciosos instrumentos a bordo de um Porsche 356 - se funcionar bem , o que nem sempre acontece . Situado na parte superior do instrumento que combina temperatura de óleo e quantidade de combustível , originalmente fornecia as informações em graus centígrados , passando posteriormente a dar apenas uma indicação analógica através da posição de um ponteiro .
Com os óleos actuais , a temperatura deixou de ser um factor relevante , uma vez que estes práticamente não perdem qualidade com elevados níveis de aquecimento . No entanto , uma temperatura de óleo muito alta pode sugerir problemas mais graves , nomeadamente com a correia de ventoínha , que podem levar à completa destruição do motor .


O Símbolo

Parece ser um facto históricamente incontroverso que os primeiros símbolos ( emblemas ) da Porsche foram usados , inicialmente , no centro do volante dos modelos 356 , como elemento decorativo e identificador . Eram produzidos pela Fritz Reu Gmbh & Co e vinham numerados , como se vê pela fotografia inferior . Mais tarde a numeração foi descontinuada , facto que torna este objecto ainda mais raro e precioso .
- Colaboração do leitor "Zico Ramone" , coleccionador de preciosidades .


As primeiras letras “PORSCHE” datam, de Junho de 1948. A linha horizontal colocada debaixo da inscrição “PORSCHE” data de 1950. Repetem-se, depois, com o 914, o 911 de 72 e o 924 de 77. Em 1952 aparece a versão final “estendida” das letras “PORSCHE” do 356.O símbolo/escudo da Porsche é criado em 1952 e aparece pela primeira vez colocado no volante do 356 em 1953. Quanto ao primeiro escudo colocado na frente de um Porsche, apesar de em muitos dos livros figurar o 356 de 1956, o certo é que nas fotografias oficiais da fábrica, tiradas em estúdio no ano de 1955, o 356 já aparecia com o escudo montado na frente. Por último, os primeiros escudos colocados nas jantes, remontam aos 356 de 1959.

- "Zico"

Encontros Imediatos

Carlos Duarte Ferreira vinha a andar depressa , talvez muito depressa mesmo , e a estrada tinha alguma areia , aqui e ali . As 500 Milhas de 2008 obrigaram muita gente a andar de "pé a fundo" , para controlar a tempo e horas , e as consequências tornaram-se inevitáveis , como aconteceu com o belo Porsche 356 amarelo . Nada de mais , como se vê , mas é sempre uma dor na alma quando os nossos carrinhos ficam ligeiramente deformados .
Acredito que o Porsche já terá recuperado a sua forma original e desejo que estes "encontros imediatos" não voltem a acontecer , mesmo que em pequena escala .

Tudo à Frente ou Tudo Atrás ?

A imagem mais antiga data de 1966 , quando Ernesto Neves utilizou o Porsche 356 /90 para rebocar o Cooper S com que foi correr em Silverstone . Quarenta e dois anos depois , a dúvida persiste : qual o conceito mais eficaz ?
A actual tecnologia diz-nos que Ferdinand Porsche tinha razão e que só o "tudo atrás" permite controlar potências elevadas , como acontece hoje na Fórmula 1 . Mas os Minis "tudo à frente" de Alec Issigonis , depois de preparados por John Cooper , revelaram-se imbatíveis em rallye e em circuito enquanto as potências não chegaram perto dos 200 Cv . Só a partir daí é que é que começaram a surgir dificuldades , quer em tracção quer em controle direccional .
Em qualquer dos casos , tanto o Porsche como o Mini são os principais representantes de dois conceitos que revolucionaram a indústria automóvel e o desporto motorizado .
PS - Na altura , escrevi que o "tudo atrás" é o sistema adoptado na Fórmula 1 , o que está manifestamente errado , uma vez que o motor é colocado em posição central . No entanto , decidi manter o texto , assumindo o erro .

Brantz Laser 3

Antes de mais , declaro que sou contrário à utilização deste tipo de equipamentos em provas de regularidade histórica e só aceitei a instalação do Brantz no meu 356 , para as últimas 500 Milhas , porque o regulamento o permitia e porque tinha alguma curiosidade na avaliação do seu desempenho . No final , admito que este computador é realmente eficaz e pode fazer uma enorme diferença na tabela classificativa , se for convenientemente aproveitado ( o que não foi o caso ) . Por isso mesmo , parece-me que a sua utilização é desleal e contrária ao espírito que devia prevalecer nas competições de "clássicos" , pelo que já procedi à sua remoção , voltando aos instrumentos originais e às suas magníficas insuficiências .