Porsche 550 SPYDER - Uma outra história de sucesso

Crónica de um Restauro

Nas duas imagens de cima é possível avaliar o estado lamentável em que se encontrava , quando foi encontrado , o Coupe 356 que pertenceu a Nelson Soromenho entre Abril de 1964 e Janeiro de 1969 . Na imagem inferior , vemos o CE-83-68 já completamente recuperado e transformado no orgulho do seu actual proprietário , Armando Ferreira .
Em breve espero poder voltar com mais detalhes sobre esta verdadeira "história de amor" mas , para já , aqui ficam as primeiras fotografias de uma missão difícil , mas muito bem sucedida .


Finalmente !

Foram necessários vários meses ( oito ou nove ) mas , finalmente , o belíssimo Speedster do Mário João Melo já pode circular pelas estradas de Portugal e , com grande probabilidade , será estreado em provas de regularidade nas próximas 500 Milhas do ACP .
Fabricado em 1955 , o que faz dele um "pre-A", este modelo vem equipado com o motor de 1500cc , tendo sido produzidos 1234 exemplares . Estamos , portanto , perante uma valiosa raridade em impecável estado de conservação , que em muito vem enriquecer o património nacional de Porsche 356 .

Espero , em breve , poder fazer um teste e "saborear" aquele que é , sem sombra de dúvida , um dos melhores automóveis que a Porsche até hoje concebeu e que em muito contribuiu para a tradição vencedora da marca , em competição . Como curiosidade , direi que vinte anos após a sua concepção , foi possível avaliar em tunel de vento o Cx deste modelo e o resultado confirmou os valores de 0,40 estimados por Ferdinand Porsche , números ainda hoje muito respeitáveis em termos de aerodinâmica . E já lá vão quase 60 anos !

Restaurar um 356

Aviso : não tentem fazer isto em casa . O restauro completo de um automóvel antigo só deve ser feito por profissionais especializados e , em Portugal , só agora se começam a dar alguns passos seguros nessa matéria .
O restauro não consiste apenas em devolver ao carro as suas formas originais mas , também , em dotá-lo das peças e detalhes correspondentes ao período em que foi construido . Existem vários guias para ajudar nesta operação , mas eu permito-me recomendar o "The 356 Porsche , a restorer´s Guide to Authenticity " , por Dr B. Johnson , onde se descrevem os mais pequenos pormenores relativos a cada série de veículos produzidos em Stuttgard .
O livro pode ser comprado através de "Amazon.com" ou no "eBay" e vale francamente o investimento .
Na internet encontra-se um site http://nsfcoachbuilders.com/porsche356.htm de uma empresa situada na Ilha da Madeira , que se especializa em restauros deste tipo de carros e no fornecimento de um vasto leque de componentes . Não conheço o seu trabalho mas acredito que será boa ideia fazer uma visita ao site do Nélio Faria antes de optar por qualquer via de restauro .


Apanhado !

Este belíssimo 356 SC foi encontrado enquanto descansava tranquilamente numa rua de Cascais , ali para os lados da Igreja da Assunção . Impecávelmente restaurado e conservado , cinza metalizado com interior negro , talvez a mais elegante combinação proposta pela Porsche dos anos sessenta .
Quem me ajuda a identificar o feliz proprietário ?





O proprietário deverá ser o Sr. Manuel Henrique Brigue Ferreira Andrade, da zona de Lisboa. Informação do leitor Hugo Cardoso , a quem agradeço a colaboração .

Tal Pai , Tal Filho

As imagens parecem confirmar o feliz slogan da Patek Philippe , adaptado aos Porsche 356 : "Ninguém realmente possui um 356 , apenas o conserva para a próxima geração " .
O carro é o mesmo , Pai e Filho estão apenas separados por algumas décadas . E na imagem mais antiga aparece também um senhor que viria a ser Presidente do Sporting ( ninguém é perfeito... ) , dono da Herdade do Esporão , do Banco Totta , etc,etc .
Reconhecível , sim senhor .
E os Soromenho , Pai e Filho , também .


Photoshop

Esta fotografia , trabalhada em Photoshop pelo Zico Ramone , coloca em evidência o autocolante com o emblema da Porsche , que aqui aparece sobre o capot do 356 de Ernesto Neves , ao lado da namorada de então .
O emblema é formado pelo escudo da cidade de Stuttgard , onde se situa ainda hoje a fábrica dos Porsche , e pelas armas do Reino de Wurttemberg .

Uma História na Primeira Pessoa

Era uma vez um Porsche 356 B de matricula CE-83-68 que veio para Portugal em 23-03-1962 , e teve os seguintes registos :

23/03/62 - Soc. Comercial Guerin , S.A.
03/09/62 - vendido ao Sr. Francisco Rego Albuquerque
11/04/64 - vendido novamente à Guerin
20/04/64 - vendido a Nelson Soromenho
30/01/69 - vendido novamente à Guerin
14/10/69 - vendido a Carlos José Machado Laranjeira Pereira
30/05/2003 - vendido a Armando dos Santos Monteiro


É de notar o tempo de espera , na época , para conseguir vender este tipo de carro . Seis meses até aparecer o 1º dono - ao meu Pai foram dias !!! - e 10 meses de espera por um novo dono . Verdadeiramente extraordinário .
Ora a história começa efectivamente no mês 05/2003 . Estava eu ( desgraçadamente ) a trabalhar no escritório , quando recebo uma chamada de um senhor a saber se o meu Pai ainda era vivo , pois tinha comprado o dito Porsche , que ainda se encontrava em seu nome . Qual o meu espanto , pois lembrava-me perfeitamente do carro e de há quantos anos tinha sido vendido .
Conversa puxa conversa e lá ficou marcado um encontro para falar do assunto . Fui logo ter com o meu Pai a contar o que tinha acabado de saber .
Passados 1 ou 2 dias o dito senhor lá apareceu . Como deves calcular , a minha primeira intenção era de poder adquirir o carro . Comecei a puxar ao sentimento dizendo que tinha feito várias viagens naquele carro , que tinha passado várias horas sentado ao volante - óbviamente dentro da garagem e com o carro desligado - que tinha marcado muito a minha infância ( tudo isto se passou entre os meus 5 e 10 anos ) , enfim um leque de lembranças daquelas que fazem chorar as "pedras da calçada ".
Infelizmente o resultado foi nulo . O dito senhor - hoje em dia o meu querido amigo Armando Monteiro - tinha tantas ou mais recordações do carro do que eu . Entre 1969 e 2003 o carro foi propriedade de um vizinho seu , o Sr.Carlos Laranjeira , que correu em VWs 1303 S patrocinado pela Guérin , onde foi chefe da parte de maquinaria agrícola , o que quer dizer que também passou largas horas sentado ao volante ( tem mais ou menos a minha idade ) , que também ajudou a lavar o dito carro , enfim um rol de recordações tão grande ou maior do que o meu . Sendo o Armando Monteiro um apaixonado por Carochas e grande impulsionador dos encontros Carocha , em Montemor-o-Velho , lá acabou por fazer o negócio da compra do carro (à troca de um Carocha e mais qualquer coisita !!! ) .
Combinámos fazer outra Declaração de Venda , com o respectivo contrato a salvaguardar tudo o que pudesse ter acontecido ao longo de todos estes anos , porque o Sr.Laranjeira não sabia onde estavam os documentos do carro , e a informação que se obteve na Conservatória era de que o carro ainda estava em nome do meu Pai .
Marcámos novo encontro para assinar as papeladas .
No dia combinado , o Armando Monteiro ligou-me a dizer que efectivamente tinha havido um engano na Conservatória , e que o carro estava registado desde 14/10/1969 em nome do Sr. Laranjeira , conforme depois pude confirmar .
Resumindo e concluindo , aqui está a história de um 356 que continua na nossa "terra" e de muito boa saúde conforme documentam as fotos .
Note-se que ainda não perdi a esperança de comprar o carro , e já disse ao Armando Monteiro que este ano de 2008 o meu Pai faz 80 anos e gostava de lhe oferecer o " carrito" ... ( pode ser que desta vez a coisa pegue !!! )
Quanto às fotos , esta 1ª foi tirada à porta do Restaurante Mónaco em Caxias , em 1966 . Os protagonistas são da esq. para a drt . o Eng. Correia Vitorino ( já falecido ) José Roquette ( esse mesmo ) e o meu Pai . Note-se que junto ao meu Pai está um género de gaiola que era uma antena que ele usava no carro para fazer as suas comunicações de Radioamadorismo . Imagina o espectáculo que era , em qualquer lado .
Luis Soromenho
Posted by Picasa

Um 356 Extraordinário !

Esta série de fotografias , que me foi enviada pelo Luis Soromenho , representa um dos 356 mais invulgares que me foi dado conhecer . Ainda por cima , o carro é português , tem matrícula portuguesa , e está a ser demonstrado pelo seu feliz proprietário , Nelson Soromenho , pai do Luis .
O local é conhecido , a praia da Parede em plena marginal Lisboa-Cascais , e o ano de fabrico é 1952 , o que confirma tratar-se de um Pre-A . Quanto a Nelson Soromenho , continuaria fiel à marca e viria a adquirir um belíssimo Coupe , anos mais tarde , do qual falaremos em breve .
Mas reparem em alguns detalhes curiosos e algo ... criativos , para dizer o mínimo . Desde logo as "guelras" , à frente e atrás , estratégicamente colocadas para facilitarem o arrefecimento dos travões . Original , se bem que de eficácia duvidosa .
À frente da porta do condutor está escrita a palavra "stradivarius" , só visível em ampliação . Penso tratar-se de uma homenagem ao fabricante dos melhores violinos de sempre , hoje disputados a preços que fariam corar de inveja qualquer 356 original que tenha disputado as "Mille Miglia" . Mas onde estaria a comparação ? Seria o "toque" do motor ? A raridade ?
Depois vêem-se os pequenos "respiradores" , junto da grelha do motor , e mais umas quantas originalidades e "acrescentos" , que mereceram esta análise por parte de António Coucello , um especialista na matéria :
Matrícula - 1952
Para choques - até 1951
Vidro frente - 1952
Grelhas e farolins da frente - 1955
Pega do capot - 1955
Luzes traseiras - até 1952
Alhetas de refrigeração nos guarda-lamas e na tampa do motor - Invenção Made in Portugal
Luzes de marcha atrás - Mais uma invenção
Mas onde andará hoje esta preciosidade ?



O Cabrio de José Mata

Este 356 B Cabrio foi produzido em 1960 nos ateliers Reutter e depois enviado para a California , tendo voltado mais tarde para o UK , onde José Mata o encontrou e comprou , em 1990 . O chassis 153315 está correcto , bem como o motor 800339 , pelo que estamos perante um "matching numbers" de inquestionável valor .
Sábiamente , o seu actual proprietário não tenciona vender este carro . De resto , atendendo à escalada de preços que se tem verificado relativamente a alguns automóveis antigos ( Porsche 356 incluído ) tudo leva a crer que este seja um dos poucos investimentos realmente interessantes que hoje se podem fazer . E , como todas as boas obras de Arte , enquanto se valoriza também vai proporcionando intensos momentos de prazer ao seu feliz proprietário .
E ninguém , de facto , detém um 356 . Apenas os vamos conservando e passando para a próxima geração ( esta frase foi adaptada de um genial slogan feito para os relógios Patek Philippe , what else ? ) .




Posters dos Anos Cinquenta

Alguns dos posters ( cartazes , na altura ) que acompanhavam a promoção dos Porsche 356 na Europa , incluindo Portugal , um dos primeiros países a receber estes automóveis , graças à nossa condição de neutralidade durante a II Guerra Mundial .

Francisco Balsemão e o Porsche

Nos idos anos 60, tinha eu 18 anitos e a carta acabada de tirar, morava em Lisboa no mesmo prédio que Francisco Balsemão, e lembro-me perfeitamente de num fim de tarde de Verão ter assistido, com o fascínio que se imagina, à chegada a casa do futuro 1º Ministro muito ufano e compreensivelmente orgulhoso no seu 356 acabado de comprar; apesar de usado, o carro era esplendoroso na sua pintura preta reluzente, o tecto aberto, os manómetros com os números verdes, o trabalhar certinho...um espanto!
Nos anos imediatamente a seguir vi-o diariamente, perdendo-o de vista depois.
Muitos anos mais tarde, era eu sócio de um parente próximo de FPB numa oficina automóvel, e o Porsche apareceu lá para um orçamento de restauro. O carro, além de ter sofrido a explosão de uma bomba, morava havia muitos anos ao relento no clima "seco e sem maresia "da Quinta da Marinha e o seu estado era condizente.
Quando o ilustre proprietário soube do orçamento, e sendo como é de conhecida e prudente contenção financeira, o Porsche voltou rápidamente para o arejado clima da Marinha.
Sei que mais tarde decidiu-se e arranjou quem desse um jeito, mas desconheço qual o grau de qualidade e de profundidade do arranjo efecuado, mas suponho que pelo menos se desloca pelos seus meios...
Agora um episodio picante - É conhecido o entusiasmo de FPB pelo sexo oposto, e o Porsche certamente testemunhou muitos episodios das aventuras do proprietário, mas este conheço de narrativa muito directa:
Quando foi dos bailes de Patiño e Schlumberger, uma das senhoras que cá estiveram e que muito deslumbrou foi a senhora Suhkarno. Creio que no 2º baile, apresentou-se com uma toilette que deu muito nas vistas, de que não sei pormenores mas que incluía um vison branco. Durante a festa, a então mulher de FPB notou a falta do marido durante um bom bocado, reaparecendo depois. Quando chegaram ao Porsche para irem embora, não só as costas do banco do lado direito estavam muito mais inclinadas, como havia pelinhos de vison branco por todo o lado!
Creio que o casamento acabou pouco tempo depois...
Duarte Pinto Coelho

Revista à Portuguesa

Edição nº 3 da revista Motor Clássico , onde se diz que os motores dos Porsche 356 eram arrefecidos ... por água ! Este modelo foi produzido desde 1950 até 1965 , sendo depois substituido pelo 911 , o qual deu continuidade ao conceito , em várias versões , mas seria necessário esperar 45 anos após o carro nº 1 para aparecer um Porsche com motor arrefecido a água . A versão 993 constituiu a última com motor arrefecido por turbina de ar , sendo hoje um dos modelos mais procurados pelos coleccionadores , por essa mesma razão .

Porsche 356 SC

O Porsche 356 foi o primeiro veículo da marca alemã produzido em série e marcou de modo indelével os primeiros 15 anos na história da empresa. Ligeiro, fácil de conduzir e capaz de performances surpreendentes para um carro de pequena cilindrada, era também bastante fiável, devido a um conceito cujos elementos básicos foram buscar inspiração no imortal Volkswagen “Carocha”. Aos modelos ditos Pré A , sucederam os A e , anos mais tarde os B . No entanto, a versão final deste Porsche viria a ser o modelo C , que apareceu em 1963 e que se distinguia do seu antecessor por ser ligeiramente mais potente e, sobretudo, por vir equipado com 4 travões de disco ATE, que melhoravam de sobremaneira a capacidade de travagem. O motor da versão mais elaborada, com 1582cc e equipado com 2 carburadores Solex 40 PJJ-4, desenvolvia agora 95 cv às 5800 rpm, valor bastante interessante para um veículo que, na balança, acusava pouco mais de 900 kg de peso. Muito utilizados em competição, os 356 SC marcaram uma geração desportiva, e em Portugal, os dois primeiros utilizadores destes carros foram respectivamente Américo Nunes e Carlos Duarte Ferreira, que para a época de 1964 adquiriram dois dos novissimos 356 SC, para correr indiscriminadamente em velocidade e ralis. No entanto o carro aqui apresentado, também produzido no ano de 1964, não tem historial desportivo, tendo sido desde a sua origem um modelo de cuidada utilização particular que, por isso, se encontra em rigoroso estado de conservação.


Texto e Fotos : Sportclasse