Porsche 550 SPYDER - Uma outra história de sucesso

Paragens Prolongadas

Embora possa parecer , este não é ( felizmente ) o meu carro . Mas isto é o que pode acontecer se deixarmos o nosso "brinquedo" favorito , durante algumas semanas , debaixo de uma árvore frondosa e ... cheia de pombos !
Mas as paragens nunca são benéficas , como acabei de comprovar . Tendo decidido ausentar-me por alguns dias , resolvi dar uma lavagem ( há muito merecida ) ao meu 356 , e de seguida estacionei-o na garagem , fechado , travado e ainda húmido . Quando regressei e as saudades eram mais do que muitas , "mergulhei" no habitáculo , dei à ignição , o motor "acordou" , engrenei a primeira e ... nada , o carro não se mexeu !
Seguiram-se várias tentativas , espreitei por baixo do chassis para ver se alguém tinha deixado um tijolo esquecido , mas não , não havia qualquer impedimento visível . Só que o velho Porsche continuava teimosamente imóvel e "colado" ao piso da garagem , resistindo estóicamente aos 90 cavalos do motor que ruidosamente tentavam quebrar o enguiço .
Nada . Percebi , então , que uma das rodas da frente estava bloqueada pelo respectivo travão , que impedia qualquer movimento . De imediato parti para a Internet , à procura de soluções para tão bizarro acontecimento , mas o que vi no 356 Registry e noutros sites , deixou-me ainda mais preocupado , pois defendia-se o recurso a ar comprimido , maçaricos e diversas gorduras para conseguir o desbloqueamento do travão . Uma enorme "mão de obra" em perspectiva , era o que me esperava .
Foi então que resolvi levantar o carro e remover a roda , para ver o que havia por detrás da jante , algum sinal que explicasse o fenómeno . Foi então que se deu o "milagre" : ao desapertar os parafusos , a roda cedeu e o travão desbloqueou , para grande alegria e alívio deste vosso escriba .
Aqui fica , portanto , a sugestão . Em caso de bloqueio do travão de tambor de qualquer das rodas , poderá ser útil levantar o carro e actuar sobre os parafusos da jante em causa . Coincidência ou não , desta vez resultou . A alternativa será sempre muito mais penosa .
PS - E também não é boa ideia guardar o carro imediatamente a seguir a uma lavagem .

Vila do Conde , Agosto de 1968

356B Versus MGB
A história do João Paulo Sottomayor ter corrido em Vila do Conde em Agosto de 1968, e ainda para mais com o nº 69, é digna de ser contada, até porque o João Paulo Sottomayor nem era para ter participado, pois nessa altura tinha o Porsche preparado para rallyes (ver os faróis suplementares à frente...). Só que na véspera, uns amigalhaços que iram entrar com os MGB mandaram "uma boca" na sede do Estrela e Vigorosa Sport para o João Paulo ouvir:
"Gostávamos era de «comer» um Porsche em Vila do Conde..."
Ouvindo isto, o João Paulo Sottomayor pega numa folha de inscrição, assina por baixo e só põe o "69" como nº de participante...
O que é certo é que na prova andou sempre à frente dos MGB, sendo o único que lhe fez frente o do seu amigo Nuno Carneiro (correndo sob o pseudónimo de "Ed Crow") que não o largou até ao fim... Na última volta, na aproximação à penúltima curva ("seca do bacalhau"), o João Paulo vê que o Nuno Carneiro se prepara para o passar por fora, já com duas rodas na areia da berma... Iam a 180/190 km/h, e contou-nos o João Paulo:
"Ó Carlos, imagine o que é eu fazer a minha trajectória normal na curva! Punha o Nuno fora de pista e ele ia parar ao rio! Claro que tive de facilitar... e aí o Nuno passa-me na travagem para a curva do Castelo, pois vem por fora..." (na altura não havia ainda o problema de partes sujas da pista ou partes limpas... e questões de mais ou menos aderência...).
- Texto e fotos de Carlos Gilbert


Na foto de cima vê-se o 356 e um dos MGB a serem ultrapassados pelo Porsche 911R de Mané Nogueira Pinto , que venceria a categoria , enquanto que em baixo se dá conta do encontro imediato do João Paulo com os fardos de palha , na curva do "judeu" . A corrida dessa tarde seria ganha por um tal Carlos Gaspar , ao volante de um ... Ford GT40 !!!!

Ignição Electrónica

A Pertronix ( http://pertronix.com/ ) apresenta um interessante leque de soluções para acabar com os habituais problemas de distribuição nos motores Porsche 356 , substituindo o sistema de distribuidor tradicional por uma ignição electrónica que dispensa platinados , afinações , etc.
Segundo informações que recolhi , o sistema é eficiente e fiável , melhorando a performance do motor e até os consumos , pois a ignição é optimizada através de uma gestão rigorosa da energia disponível .
Em breve estarei em condições de dar a minha opinião , pois o meu Pertronix já está a caminho .
O "package" custa perto de 100 dólares e mais uns "trocos" para transporte , o que até é um preço interessante se atendermos ao valor relativo actual da moeda americana . Não esquecer de mencionar , no acto da encomenda , se o equipamento se destina a um carro de 6 ou 12 volts . Esta informação é vital , por razões óbvias.

Algarve Classic Cars 2004

O 356 Convertible D , de 1958 , de Tiago Lobo do Vale , foi o vencedor absoluto ( classificação ponderada ) do Rallye Algarve Classics de 2004 . Apenas mais uma das muitas vitórias que os 356 coquistaram e vão continuar a conquistar , por muitos anos ainda .

Robert Giannone

Robert Giannone , um veterano das provas de Rallye e Velocidade das décadas de setenta e oitenta , aparece aqui no rallye dos Templários de 2004 , com um 356 B cabrio .

Volta a Portugal 2006

O Porsche 356 C de Luis Soromenho / António Coucello seria o vencedor na sua classe , onde também se qualificou o carro idêntico de Carlos Duarte Ferreira / Vasco Pinto Basto .
Esta seria a última vitória do Luis Soromenho ao volante do belíssimo 356 prateado , que depois seria trocado por ... um Jaguar ! Consta que já se terá arrependido .
Note-se que este mesmo carro também participou na "Volta" de 2005 , mas com outra tripulação .


Volta a Portugal 2005

Os carros de Fernando Carpinteiro Albino/ G. Albino e Luis Bouceiro/ Paulo Carrasco , à partida para a Volta a Portugal 2005 , frente ao Casino Estoril .


A Bíblia do Restaurador

Está lá tudo, desde o farolim às válvulas , das cadeiras ao volante , do espelho aos pneus , etc .
Este é um manual exaustivo , que descreve em pormenor todos os diferentes componentes dos Porsche 356 ao longo de quase quinze anos de produção , e que se torna numa ajuda preciosa para quem pretenda fazer um restauro sério , uma vez que se sabe que todos os anos eram introduzidas em todos os modelos modificações e melhoramentos , e que isso torna difícil fazer com que um carro de hoje possa reproduzir com rigor os detalhes da época em que foi fabricado .
O "The 356 Porsche Restorer´s Guide to Authenticity" contém todas as informações necessárias ao bom desempenho do restaurador . Pode ser adquirido através do eBay ou do Amazon.com e o preço anda à volta de 20 euros , mais coisa menos coisa .
Vale francamente a pena adquirir este documento de referência , mesmo que se não pretenda alguma vez levar o carrinho até Pebble Beach ou a qualquer outro concurso de clássicos . De resto , duvido que mesmo os juízes destes eventos consigam ser tão rigorosos e conhecedores dos Porsche 356 como o autor deste guia , o Dr. B. Johnson , que acumula muitos anos de investigação e experiência com dedicação exclusiva a este modelo .

Tour de France 1952

Joaquim Filipe Nogueira foi um dos maiores pilotos portugueses de sempre e um dos primeiros a "dar o salto" , tendo participado em várias provas no estrangeiro numa altura em que isso era uma verdadeira raridade , pois era difícil encontrar apoios financeiros e era frequente serem os próprios concorrentes a terem de financiar as suas aventuras automobilísticas .
Filipe Nogueira foi também um dos primeiros pilotos a utilizar os Porsche 356 , quer em circuito quer em rallye , com assinalável sucesso .
A imagem documenta a sua passagem na zona de Nice durante a Volta a França de 1952 , uma prova de longa distância comparável ao Rallye de Monte Carlo , em que também participou . É também conhecida a sua participação em provas de velocidade no Circuito de Nurburgring , nesse mesmo ano , ao volante de um 356 alugado para o efeito .

500 Milhas 2006

Estas fotografias fazem parte da colecção Vítor Santos , que as cedeu para este blogue , e documentam os 356 Roadster , de 1960 , de Pedro Cunha e o SC , de 1964 , de Carlos Duarte Ferreira .


As Imagens de Vítor Santos

Como se pode verificar pela fotografia junto , estou com óbvias dificuldades em arranjar material para publicar , o que me leva a recorrer ao "carrito do costume" para ir acrescentando algum material a este blog .
Desta vez , porém , trata-se de dar a conhecer um excelente fotógrafo - Vítor Santos - que segue com verdadeira paixão tudo o que se passa em Portugal em matéria de Clássicos . É dele a fotografia que ilustra este post , obtida durante as últimas 500 Milhas do ACP , algures no país profundo . Realmente tenho ideia de ter visto um "pelicano" em plena estrada , mas não imaginava que fizesse fotografias tão boas e tão eloquentes , como neste caso , em que o cenário fala por si .
Futuramente irei publicar mais imagens do Vítor Santos , até porque ele se dispôs a enviar-me material sobre os 356 que fôr encontrando por essas estradas de Portugal . Era fantástico se mais leitores colaborassem , pois assim apareceria menos o tal "carrito do costume" .
O endereço de mail está em "ACERCA DE MIM - ver o meu perfil completo " , no lado direito do blog .

48 Horas do Alentejo 2007

Desta vez vou ter que fazer um pouco de "auto promoção" , já que o meu 356 era o único representante da espécie nesta edição do magnífico rallye que o Luis Brito todos os anos realiza no deslumbrante cenário do Outono alentejano .
Mas o venerável carrinho cumpriu bem a sua missão e permitiu à minha equipa arrecadar um excelente terceiro lugar na categoria "F", com direito a troféu e tudo . E com setenta carros inscritos , sublinhe-se , para que não restem dúvidas aos cépticos do costume , que logo diriam "que eram apenas três" e outros mimos mais ou menos recorrentes .
Agora a sério , foi mais uma belíssima experiência que a todos recomendo . A organização da prova é impecável , as estradas são muito bem escolhidas , a gastronomia é fantástica , enfim , um fim de semana sempre a pedir mais .
Pena que ainda faltem doze meses para a edição de 2008 !


João Gomes

Circuito da Boavista , Porto 2007



Carlos Gilbert

Ex-jornalista do "Motor" , colaborador de vários sites sobre história do desporto automóvel , especialista em todo terreno na versão Land Rover , Carlos Gilbert é um apaixonado por motores , tenham eles duas , quatro ou ( no caso dos aviões ) muitas rodas .
Em 2006 , acedendo a um convite meu , estreou-se como navegador naquela que é a mais longa prova de clássicos alguma vez realizada em Portugal : as 500 Milhas do ACP . Sem qualquer experiência prévia neste tipo de competições e tendo como equipamento auxiliar únicamente a instrumentação original do Porsche nº 635 , Carlos Gilbert conseguiu a proeza de nos navegar entre Chaves e Faro , através de 15 "complementares", cumprindo todos os controles e chegando ao destino confortávelmente dentro dos limites estipulados pela organização e com uma classificação estimulante para uma equipa quase "virgem" em provas de regularidade histórica .
Se tomarmos em consideração que uma parte considerável dos participantes nestes eventos se apresenta com os carros equipados com "Haldas", "Terra trip" , "Brantz" e sabe-se lá o que mais , é pertinente questionar a ética de tais recursos , pois a vontade de vencer por quaisquer meios acaba por subverter o espírito de um tipo de competição que deveria limitar-se aos automóveis e aos instrumentos que os equipavam na época em que foram construídos . Se assim fosse , os ralis de "clássicos" ganhariam autenticidade e poderiam atrair mais e melhores automóveis para uma modalidade que tem grande potencial mas que corre o risco de estagnar se as regras do jogo não protegerem a tradição e a verdade desportiva .

Um 356 Muito Especial

Vila do Conde, 1965: o Porsche 356B Carrera 2000 GS/GT, já modificado por Américo Nunes para o padrão 904 GTS, inspirado nos desenhos de um catálogo que a Porsche lhe tinha enviado pouco tempo antes. Jurgen Barth refere que o 356B com esta carroçaria de alumínio, em cunha, era apelidado de Dreikantschaber e, na sua forma original, dois exemplares correram na equipa de fábrica em 1963, nomeadamente nas 24 Horas de Le Mans.
Este carro foi homologado em Grande Turismo, usando o mesmo expediente que a Ferrari ensaiou com o 250 GTO, de modo a contornar a obrigatoriedade de construir 100 exemplares. A CSI aceitou que o Carrera 2000 GS/GT fosse considerado como uma extensão de homologação do 356B, malgrado o facto da carroçaria de alumínio, ter alguma familiaridade com o protótipo 718 Coupé .
( Texto e foto de Sportclasse )